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16 de jul. de 2010

Vítimas e Heróis




Já não podemos aceitar heróis que são vítimas, mesmo quando as tragédias que os formaram estas não podem vitimá-los. A tragédia é vida e nos, seres humanos, somos trágicos e de fato parece ser um destino manifesto, mesmo quando somos cômicos.

Mas, o mundo ainda é cristão... E este mundo cristão é dado escolher a vítima como herói, é o crucificado, aquele que sofre, o que sangra é que se torna herói. Por isso, que os heróis são vitimados em suas genesis, filhos da dor, Batman, Super-Homem, Homem-Aranha... São os que sofrem, por isso são heróis.

Mas, a esperança se reacende em suas roupagens novas, em The Dark Kingnight a morte dos pais de Batman não é si quer citada, não passa de um passado que já passou. Ainda é preciso fazer mais, é preciso vencer a vítima, mas, vários heróis já não são mais vitimas, Homem de Ferro, Capitão América... A existência desses heróis que não são vítimas é a esperança.

O cristianismo já teve dias melhores...

31 de mai. de 2010

A travessia do Herói. Ato I



Um garoto abandonado pelo pai, órfão de mãe, vilipendiado pelos avôs, paria na escola. Um herói. Shinji Ikari torna-se herói, não por querer ser, mas, por caminhos impostos pela tragédia e aceitos por ele. Não é pela glória da vitória ou pela necessidade de ser messias, ele se faz herói na apatia da obediência. Não é o poder que o faz herói, é falta de poder diante da figura paterna.

Shinji é Édipo, é Hamlet, é Zeus. É o filho que precisa matar o pai pra construir a sua travessia e poder possuir a mãe que no caso é o seu monstro[1] (EVA 01) [2], tornando-se assim a figura de poder. Este herói perpassa a história do heroísmo mítico, o mesmo herói de mil faces que povoa as nossas narrativas.

Ao aceitar pilotar a EVA 01, Shinji o faz sem treinamentos, sem racionalidade, dotado apenas da pulsão de morte. Mas, é ai que o robô se mostra monstro. É a sua mãe que de certa forma está embaixo das couraças, é no combate que ela desperta quando vê que seu filho está para morrer. O monstro entra em estado de fúria pela primeira vez e o combate lava de sangue as ruas de Tókio 3[3].

Shinji é complexo de Édipo e de Castração levados ao extremo. Mal resolvido, cheio de traumas, mas, a vida ainda lhe põe o peso do messias nas costas.


[1] Eu não consigo chamar os EVA’s de robôs.

[2] Ao decorrer da história descobrimos que ele consegue pilotar o monstro por ele ter absorvido a sua mãe, cientista que ajudou no desenvolvimento do mesmo.

[3] Cidade fictícia onde se desenrola a trama.

7 de mai. de 2010

Destruição


O universo dos heróis é povoado de aberrações, Motoqueiro Fantasma, Spawn, Hulk... Estes heróis não são apenas filhos de suas tragédias, mas, são a própria tragédia.

A liberdade para o heroísmo deste tipo de herói está vinculado a construção da possibilidade, primeiro eles devem criar uma possibilidade de fuga de sua própria condição de monstro/aberração para a partir daí ter a chance de escolher o caminho do heroísmo.

O grande inimigo deste tipo de herói é ele mesmo, precisam de se destruir para se recriarem. Tal qual o caminho que nos, os seres humanos de verdade, deveriam percorrer. Destruindo-se e recriando-se.

Por muito tempo esperamos o progresso, mas, ele não virá. Precisamos recomeçar terminar, recomeçar... Não existe um progresso capaz de nós salvar, apenas a destruição pode nós colocar em uma nova possibilidade.

Assim como estes heróis precisamos se destruir para se recriar, não é fácil, mas, é necessário. Consideramos estas aberrações heróis por essa capacidade.